Radhá Abramo

[…] Zoravia Bettiol estimula no visitante da mostra Persona-Personagem outras reflexões: ao perder a cabeça, não tendo ao menos um chapéu qualquer que a substitua, resgate a do próximo, para não perder a capacidade da antropofagia e, não tendo nem o chapéu e nem a cabeça do próximo, para expropriá-los, deixe ressurgir a sua própria alma.
Tudo muito globalizado, similar demais, tortura o homem.
Zoravia Bettiol traça os traços de todas as culturas nas suas obras, coloca-as em nosso corpo, presença dignificante da existência humana para lembrar da última chance de busca dos próprios sentimentos. Arte é isso, a partir de um dado, salta-se noutro, o lamento passa a ser glória combatente.
E, atento contra a tentação de desfalecer na suposta tolerância de ser igual, insurgimo-nos diferentes, usando os chapéus, as joias e os peitorais de Zoravia Bettiol.

Radhá Abramo
Catálogo Persona – Personagem, MARGS
Porto Alegre, 1998

VOLTA