Paulo C. Amaral

[…] Com Persona-Personagem Zoravia Bettiol instiga em nós o desejo (sempre existente) do disfarce. Afinal, o que somos que não disfarce, cada um com seu headdress preferido, visível ou não, conforme a hora, o dia e a circunstância? Sabemos disso. Mas nem sempre queremos lembrar o que afinal não acrescenta votos ano nosso ego resistente.

É preciso que alguém o faça por nós, alguém que nos lembre que existe fascínio e sedução no disfarce, ingredientes dos quais, paradoxalmente, se nutre o ego. De todos esses anos de uma carreira coroada, Zoravia sincretiza sua obra nesta exposição, inédita, em que somos convidados a interagir. Trata-se pois, de um trabalho aberto a nós, ou mais ainda, de um convite honroso da mestra a uma conversa inadiável sobre nossas fantasias.

Paulo C. Amaral
Catálogo Persona – Personagem, MARGS
Porto Alegre, 1998

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