Maria Amélia Bulhões

[…] Zoravia Bettiol está entre aqueles narradores cuja obra gráfica presta uma homenagem original ao texto literário, conduzindo um novo olhar. […] Suas figuras flutuam em uma pluralidade de planos desdobrados em devires e finalizados no olhar do espectador. Uma organização espacial que corrobora sua concepção narrativa, pois, a cada plano, é possível a correspondência de um tempo da trama. A origem de uma sequência imagética não é a observação da realidade, mas a necessidade de ultrapassá-la para construir, no espaço plano da folha em branco, um espetáculo que permanece em nosso olhar, enigmático por muito mais tempo […] Uma obra aberta aos sentidos, numa reflexão crítica das posições assumidas pelo sujeito na sociedade, e uma paixão pela arte cuja existência é renovadamente festejada em cada um de seus trabalhos.

                                                                                Maria Amélia Bulhões

Texto para o livro Zoravia Bettiol – A Mais Simples Complexidade

Porto Alegre, 2007

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