Fernando Cocchiarale

[…] É curioso observar como Zoravia, para preservar a narrativa, hibridizou não apenas meios de expressão manuais de todo tipo, como também assimilou, de modo próprio e singular, procedimentos de genealogias opostas aquela do realismo e avessas aos meios de expressão artesanais […].

[…] As instalações, sobretudo, não se organizam a partir da lógica do movimento DADÁ […]. A inserção de Zoravia em genealogias contraditórias à questão central de sua obra – o conteúdo – permitiu que assimilasse tradições e meios diversos como parte de uma mesma estratégia narrativa. Deste tecido híbrido nascem trabalhos que não se contentam com o mundo especializado e autônomo da arte (forma), pois buscam conectar esse mundo à vida, da história e da política, únicas realidades nas quais querem intervir, por meio de questionamento lúdico e de valores comportamentais, hábitos culturais, éticos e políticos […]

                                                                                Fernando Cocchiarale

Texto para o livro Zoravia Bettiol – A Mais Simples Complexidade

Porto Alegre, 2007

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